Em Portugal acontece...
People who are different change the world
28/02/2010
Serviço de Metabólicas de Santa Maria II
Bárbara, não vale a pena desesperar, a Chefe de Serviço e nós pais , vamos lá estar e zelar para que tudo corra bem. É lamentável que um Serviço tão Raro e especial como o das Metabólicas, deixe escapar por entre mãos, médicos qualificados e dedicados a uma área tão específica como esta. Ao que parece, a esta geração de médicos novos não é oferecida um carreira hospitalar, (trabalham como uns desalmados) e tem um contrato individual de trabalho que cessa ao fim de um ano. Uma única vantagem vejo na situação, é que assim vai haver uma disseminação de pediatras com formação nas Metabólicas. Nem que seja nos privados, vai ser possivel encontrar médicos que sabem lidar com os problemas dos nossos filhos. Já agora passo a informação de que o Hospital privado é o dos Lusíadas ao Alto dos Moínhos em Lisboa.
26/02/2010
Serviço de Metabólicas de Santa Maria
Acabo de chegar da consulta de rotina de Santa Maria. Ao fim de um ano e dois meses com consultas regulares no Serviço de Metabólicas, o meu Pku era acompanhado pela Drª. Margarida L.A. , uma médica experiente e muito focada, que costumava fazer par com o Dr. Raúl M., um médico mais novo e óbviamente com menos traquejo. As consultas que no início eram bastante stressantes para nós pais, com esta dupla tão equilibrada, simpática e mesmo divertida, transformaram-se num tempo quase alegre. Sair da sala de tratamento com o bebé quase sempre em lágrimas e passar para a consulta onde esta dupla com características pessoais invulgarmente cativantes, nos recebia com um grande sorriso e gestos carinhosos para o bebé, foi sempre muito bom. Para não falar da confiança que ao fim de algum tempo se estabeleceu entre nós e estes médicos. No final do ano, sem percebermos muito bem porquê, deixámos de encontrar a Drª. Margarida, e passámos a encontrar a Drª. Sara, médica também muito simpática e com experiência nas metabólicas. Na verdade gostei muito dos três cada qual com o seu estilo particular, a notícia da saída dos três médicos que costumam acompanhar o meu filho entristece-me bastante e revolta-me também. Ao que parece vão sair os três para o mesmo hospital privado, pois o SNS não lhes ferece condições comparáveis aquelas que vão ter no privado. E o pior, é que para além da Chefe de serviço não vai sobrar um médico com experiência em Metabólicas.
Estou em choque, e não é para menos.
25/02/2010
Uma pergunta de algibeira...
23/02/2010
Foi assim a Festa de Carnaval em Lisboa

Apesar do tempo chuvoso e desagradável não ter facilitado, a festa de Carnaval em Lisboa, foi o máximo! O palhaço era divertidíssimo, cheio de truques hilariantes, e grandes e pequenos riram-se a bandeiras despregadas com tanto disparate. Balões, colares havaianos, confeti, serpentinas, cor, muita cor, muita música, o arlequim de serviço a disco-jockey esteve à altura da situação e até o meu piratinha de chucha abanava a pernoca ao ritmo dos BlackEyedPeas...As meninas-flor estavam lindas, a Carmen Miranda deslumbrante com o seu cesto de fruta à cabeça, o super-homem com tanta energia só lhe faltava voar, uma diabinha andava por lá também a fazer das suas, e não houve escapatória para os pais e manos crescidos, houve mascarilhas e colares para todos. O lanche apetitoso mal se distinguia o que era para metabólicos e o que era livre, bolos maravilhosos de maçã canela, de banana, tarte de maçã reineta de comer e chorar por mais, bolachinhas de manteiga em forma de Mickey, eu sei lá! As receitas vem a caminho... E a conversa foi muito agradável como sempre, já nos vamos conhecendo melhor e sentimo-nos em casa, partilhamos as alegrias de os ver crescer ultrapassando problemas comuns. Os miúdos ganharam umas mochilas muito cool recheadas de cadernos para pintar e brincadeiras, foi tudo muito bem, Obrigado Anamix!
20/02/2010
Banco Público de SANGUE DO CORDÃO UMBILICAL
No tempo em que nasceu o meu filho, ainda não estava disponível a opção de um Banco Público, o que me parece de longe a melhor solução das que conheço. A preservação das células estaminais do cordão umbilical, fazia-se apenas através de empresas privadas e sobre a verdadeira utilidade dos seus serviços, nunca consegui sentir-me verdadeiramente esclarecida. Para além de ter custos bastante elevados, a certeza de ter qualquer utilidade sempre me pareceu remota, não houve um único médico da minha confiança que mo aconselhasse a fazer, o máximo "pro" que ouvi foi a dizer que "mal, não faz...", muito pouca informação concreta, de uma forma generalizada. Uma das empresas que fazia a recolha, enviava as amostras para a Suiça, não gostei, gosto de conhecer in situ, as empresas. Conclusão, depois de ouvir as opiniões evasivas dos médicos, após ponderar os custos e as vantagens, a nossa opção foi a de não fazer. Fiquei sempre com um pequeno complexo de culpa por não o ter feito, e se.... mas a verdade é que mesmo com a hipotese de pagamento a prestações, os recursos não abundam. Se fosse hoje, não hesitava em recorrer aos serviços deste Banco Público de sangue do Cordão Umbilical, para além de ser do Estado, é um banco Universal, para todos. Lusocord, gosto disto.
15/02/2010
Kuvan, ele vem aí finalmente!
"(...) Só em 2009 foram aprovados mais oito medicamentos para estas doenças. Este ano deve chegar uma aprovação de 2008, contra a fenilcetonúria. A doença, que já afecta 300 portugueses (crianças e jovens), deve-se a uma mutação no gene PAH, que altera a estrutura da hidroxilase, responsável pela subida da fenilalanina. A doença pode evoluir para atrasos mentais e de desenvolvimento graves se não for tratada e este é o primeiro medicamento no mercado. O kuvan é da Merck Serono e conseguiu reduzir os níveis de fenilalanina de 20% a 56% dos doentes."
A ler na íntegra aqui no DN 11/02/2010
Fúria
Se há coisa que me deixa em estado de fúria, é quando se referem à doença crónica do meu filho misturando-a com a asma, doenças respiratórias e outras... E para meu maior espanto, refiro-me a pessoas que tinham a obrigação e o dever de distinguir. Nem desvalorizar, nem exagerar, detesto de igual forma a banalização ou o discurso do coitadinho.
No fundo, querem com este discurso retirar a importância que damos ao assunto, "Oh! Sabes lá , eu também tive muitos problemas com os meus filhos quando eram pequenos! Estavam sempre doentes com otites e infecções respiratórias! NÃO, não, as doenças metabólicas não são como as otites, infecções respiratórias , ou a asma, não, não estou a exagerar, não , não o problema não é da minha cabeça, é completamente diferente! Farta de pregar no deserto, mais uma vez, desisto antes que me passe dos carretos. A Fenilcetonúria? "Ah, é só a alimentação, qual é o problema? E aquela nossa priminha que teve alergia à proteína do leite? Depois passou com a idade e eles pais também se peocuparam muito..." Desisto. Principalmente quando falo com familiares próximos, não consigo ser tolerante com a ignorância persistente, considero-a quase uma falta de respeito, um despautério!
Eu sei que não devia ser assim, que devia sorrir cheia de paciência e explicar (pela milionésima vez) talvez com palavras muito simples, recorrendo a panfletos e literatura de divulgação as características da patologia. Mas, caramba, não sou de pedra, sou Mãe!
Eu sei que não devia ser assim, que devia sorrir cheia de paciência e explicar (pela milionésima vez) talvez com palavras muito simples, recorrendo a panfletos e literatura de divulgação as características da patologia. Mas, caramba, não sou de pedra, sou Mãe!
10/02/2010
E o Lugar Mistério da festa de Carnaval em Lisboa é...
Na Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Lisboa - Av. D. João II, Lote 4.69.01, às 15h.
Ver mapa maior
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Até lá e Bom Carnaval!
03/02/2010
A importância de um bom pequeno almoço...
Ao fim de tantos anos a pregar no deserto, pode ser que assim cheguemos lá!
02/02/2010
Festa de Carnaval II - Inscrições até dia 4 de Fevereiro!
Atenção! Atenção, temos mais dois dias para as inscrições nas Festas de Carnaval, afinal o prazo vai-se prolongar por mais dois dias. É só enviar um email para anamix6.pt@nutricia.com a inscrever-se e dizer quantas pessoas vão, ou telefonar para o telef 214 259 600, e já está! O convite é extensível às famílias dos metabólicos.
- Coimbra – 13 de Fevereiro
- Porto – 14 de Fevereiro
- Faro – 15 de Fevereiro
- Lisboa – 16 de Fevereiro
- Porto – 14 de Fevereiro
- Faro – 15 de Fevereiro
- Lisboa – 16 de Fevereiro
31/01/2010
Festa de Carnaval
Olá Pessoal!
Gostava de vos desafiar, já depois da Sofia o ter feito, a comparecerem na festa de Carnaval organizada pela Nutricia no dia 16 de Fevereiro, em Lisboa. Era bom que fosse o grupo do costume para mais uma vez nos encontrarmos e trocarmos experiências e histórias de vida.
Quem vai?
Eu ainda não nos inscrevi (até dia 2) mas gostava imenso de o fazer, mas para isso adorava saber quantos de nós vão estar presentes?! Será possível saber? Para além disso é carnaval e brincaríamos a isso em família.
Obrigada a todos e gostava imenso de contar com um grupo grande, uma "família".
Beijinhos, Bárbara.
Gostava de vos desafiar, já depois da Sofia o ter feito, a comparecerem na festa de Carnaval organizada pela Nutricia no dia 16 de Fevereiro, em Lisboa. Era bom que fosse o grupo do costume para mais uma vez nos encontrarmos e trocarmos experiências e histórias de vida.
Quem vai?
Eu ainda não nos inscrevi (até dia 2) mas gostava imenso de o fazer, mas para isso adorava saber quantos de nós vão estar presentes?! Será possível saber? Para além disso é carnaval e brincaríamos a isso em família.
Obrigada a todos e gostava imenso de contar com um grupo grande, uma "família".
Beijinhos, Bárbara.
26/01/2010
Construção de um Registo de Doentes Raros
A entrega das condecorações será feita pela Dra. Maria Cavaco Silva.
Estamos todos convidados a comparecer aqui vai o convite!
Estamos todos convidados a comparecer aqui vai o convite!
23/01/2010
Don't hope for a miracle. Make one.
Extraordinary Measures - Don't hope for a miracle. Make one, e está tudo dito! E quando Indiana Jones veste a pele de um cientista e vem salvar uma criança portadora de uma doença rara? Só de ver o trailer apetece chorar... Esperemos que chegue às salas tugas depressa. Informações de última hora dizem que só chega às salas portuguesas dia 29 de Abril, não está assim tão longe!
05/01/2010
Festa de Carnaval - Estamos todos convidados!
Serão na verdade 4 festas de Carnaval para que todos possam aparecer,
- Coimbra – 13 de Fevereiro
- Porto – 14 de Fevereiro
- Faro – 15 de Fevereiro
- Lisboa – 16 de Fevereiro
- Porto – 14 de Fevereiro
- Faro – 15 de Fevereiro
- Lisboa – 16 de Fevereiro
O convite é extensível às famílias dos metabólicos, a entrada é livre mas é pedida uma inscrição até 2 de Fevereiro que deve ser enviada para anamix6.pt@nutricia.com . Em cima as imagens do cartaz e dos convites.
28/12/2009
Um ano, o meu primeiro balanço pku
Passou um ano sobre o nascimento do meu bebé Pku, e reflectindo um pouco sobre este tempo, o que ressalta é que foi de uma intensidade tão forte que parece que foi muito mais longo do que o tempo real, marcou uma nova etapa na nossa vida, um virar de página, um novo capítulo, a partir daqui nada será como dantes. Boas sensações e menos boas, as boas são o amor infinito que sentimos pelo nosso filho e que parece maior ainda quando ele é mais frágil e as menos boas redundam no medo que temos de falhar perante uma responsabilidade tão grande, o medo de perspectivar o futuro e o desenvolvimento da doença. É sempre assim quando somos mães e pais, mas quando ainda em choque com a revolução que é o nascimento de um filho, somos confrontados com uma doença que em absoluto desconhemos e que vai alterar a relação social quotidiana ao longo de toda a vida dos parâmetros normais a que estamos habituados, a reacção óbvia é o medo. Medo do desconhecido, medo do futuro, medo de não estarmos sempre por perto, medo do que é diferente, insegurança, medo, medo. Medo das palavras, doença rara e crónica assusta o mais corajoso, Fenilcetonúria, é um palavrão que arrasa com os nervos de qualquer um.
Posso afirmar sem sombra de dúvida que o medo se vai dissipando à medida que o tempo passa e vamos aprendendo os contornos da doença e a lidar com as novidades, descobrimos que apesar das diferenças, afinal vai tudo dar ao mesmo. Aprende-se a lidar com um problema de cada vez, a não perspectivar a vida à la longue, semana a semana, mês a mês; os exames e as consultas com as consequentes alterações na dieta passam a marcar o calendário. A rotina instala-se, a alimentação é diferente e so what? Claro que dispensávamos tantas análises, picadas nos amorosos pézinhos rechonchudos, tanta ida ao hospital, mas na verdade rapidamente nos habituamos a tudo. Passamos a conhecer um mundo novo de gente e informação, como alguém avisado dizia; sofro, logo existo.... e eu acrescento, cresço, aprendo! E apesar de raros não estamos sós, temos uma equipa de médicos (Um especial Viva! à Dra. Margarida e ao Dr. Raúl), enfermeiros, auxiliares e técnicos dedicados, que acompanham passo a passo o nosso menino. Uns mais afectuosos outros mais distantes, mas que em conjunto nunca nos deixam pendurados, o sistema apesar das limitações funciona! Temos os outros (raros) pais que partilham a nossa jornada e com os quais estabelecemos logo, imediatamente ali, seja na sala de espera, seja através da Associação de Pais,uma relação solidária e empática, sim só eles nos compreendem, só eles passam pelo mesmo.
Com um aninho completo, ele está muito bem, o desenvolvimento dentro dos parâmetros, (segundo as evidências e a consulta de Desenvolvimento!) come aquela comida especial, mas hoje há tanta gente a comer diferente pelas mais diferentes razões! Fiz um bolo de chocolate decorado com smarties e uma grande vela que lhe iluminou e espantou o olhar com a novidade, nós fizemos a festa e ele adorou, só não comeu o bolo este ano, mas para o próximo já vai ter um bolo feito à maneira da dieta hipoproteica. Quanto ao resto, faz as gracinhas próprias da idade, faz de toda a gente gato sapato, é um pequeno ditador como todos os outros bebés numa família de gente mais velha, mas acima de tudo é uma enorme fonte de felicidade.
Chego ao fim deste ano contente e muito emocionada, nada é como dantes, o nosso adorável menino pku veio abalar a nossa vida familiar transversalmente, eu suspendi a minha vida profissional ( espero que por breve trecho!), estou mãe a 100% (e ainda não dei em louca), mas estou optimista, irá tudo correr bem também para o ano, espero.
Dizem-me que no segundo ano é que a alimentação começa a complicar-se, on verra! Cá estou de mangas arregaçadas para dar a volta às complicações, se os outros conseguem, eu também vou conseguir!
Desejo a todos um Ano 2010 com Saúde e muita Alegria.
Posso afirmar sem sombra de dúvida que o medo se vai dissipando à medida que o tempo passa e vamos aprendendo os contornos da doença e a lidar com as novidades, descobrimos que apesar das diferenças, afinal vai tudo dar ao mesmo. Aprende-se a lidar com um problema de cada vez, a não perspectivar a vida à la longue, semana a semana, mês a mês; os exames e as consultas com as consequentes alterações na dieta passam a marcar o calendário. A rotina instala-se, a alimentação é diferente e so what? Claro que dispensávamos tantas análises, picadas nos amorosos pézinhos rechonchudos, tanta ida ao hospital, mas na verdade rapidamente nos habituamos a tudo. Passamos a conhecer um mundo novo de gente e informação, como alguém avisado dizia; sofro, logo existo.... e eu acrescento, cresço, aprendo! E apesar de raros não estamos sós, temos uma equipa de médicos (Um especial Viva! à Dra. Margarida e ao Dr. Raúl), enfermeiros, auxiliares e técnicos dedicados, que acompanham passo a passo o nosso menino. Uns mais afectuosos outros mais distantes, mas que em conjunto nunca nos deixam pendurados, o sistema apesar das limitações funciona! Temos os outros (raros) pais que partilham a nossa jornada e com os quais estabelecemos logo, imediatamente ali, seja na sala de espera, seja através da Associação de Pais,uma relação solidária e empática, sim só eles nos compreendem, só eles passam pelo mesmo.
Com um aninho completo, ele está muito bem, o desenvolvimento dentro dos parâmetros, (segundo as evidências e a consulta de Desenvolvimento!) come aquela comida especial, mas hoje há tanta gente a comer diferente pelas mais diferentes razões! Fiz um bolo de chocolate decorado com smarties e uma grande vela que lhe iluminou e espantou o olhar com a novidade, nós fizemos a festa e ele adorou, só não comeu o bolo este ano, mas para o próximo já vai ter um bolo feito à maneira da dieta hipoproteica. Quanto ao resto, faz as gracinhas próprias da idade, faz de toda a gente gato sapato, é um pequeno ditador como todos os outros bebés numa família de gente mais velha, mas acima de tudo é uma enorme fonte de felicidade.
Chego ao fim deste ano contente e muito emocionada, nada é como dantes, o nosso adorável menino pku veio abalar a nossa vida familiar transversalmente, eu suspendi a minha vida profissional ( espero que por breve trecho!), estou mãe a 100% (e ainda não dei em louca), mas estou optimista, irá tudo correr bem também para o ano, espero.
Dizem-me que no segundo ano é que a alimentação começa a complicar-se, on verra! Cá estou de mangas arregaçadas para dar a volta às complicações, se os outros conseguem, eu também vou conseguir!
Desejo a todos um Ano 2010 com Saúde e muita Alegria.
27/12/2009
Cartão Doença Rara - Será que vamos ficar de fora?
A recomendação do CDS para ser criado o Cartão para Protecção Especial dos Portadores de Doença Rara, foi esta sexta-feira, aprovada por unanimidade na Assembleia da República.
O Cartão das Doenças raras aqui no DR de 7 de Maio de 2009
Este cartão, que proporcionará aos portadores de doença rara um acesso diferenciado aos serviços de urgência e a consultas de especialidade, irá conter um chip onde constarão os seguintes dados: identificação do doente; patologia de que padece; medicação habitual; medicação a administrar em caso de urgência e o contacto do médico assistente.
Assim, quando se dirigem a um serviço de urgência os portadores de doença rara deparam-se com sérias dificuldades pois, a maioria das vezes, o médico de urgência não tem conhecimentos suficientes sobre a doença e, como tal, não sabe que medicação pode ou não administrar ao doente. Muitas vezes, o próprio doente não consegue explicar correctamente qual a doença de que é portador e, menos ainda, a medicação habitual. Estas situações são bastante comuns, inclusivamente, para os pais de portadores de doença rara mais jovens que, na aflição de ver o filho doente, confundem a terminologia da medicação.
Estima-se que existam entre 5 000 e 8 000 doenças raras diferentes, afectando, no seu conjunto, entre 6 a 8% da população, o que significará a existência, em Portugal, de 600 000 a 800 000 indivíduos com este tipo de patologias, entre as quais, hemofilia, esclerose múltipla, lúpus, diabetes insípida, doença de Fabry ou doença de Gaucher.
Associação Portuguesa de Fibrose Quística, 2009
25/12/2009
22/12/2009
Remédios para doenças raras sem utilização
No primeiro semestre de 2009, apenas 64% dos tratamentos a doenças raras disponíveis no mercado português eram utilizados. Explicação pode passar pelo facto de os hospitais querem travar os custos com medicamentos inovadores.
A meta para 2010 é utilizar todos os fármacos disponíveis.
Um terço dos medicamentos disponíveis para as doenças raras não está a ser utilizado em Portugal, o que significa que haverá doentes que não beneficiam de potenciais tratamentos. Luís Nunes, coordenador do Programa Nacional das Doenças Raras, acredita que a explicação está em parte no facto de "haver hospitais que não os administram para travar os custos com medicamentos inovadores". Calcula-se que estas doenças afectem entre 600 mil e 800 mil portugueses.
A Agência Europeia do Medicamento (EMEA) já aprovou um total de 60 medicamentos órfãos até ao momento, estando automaticamente aprovados para todos os Estados membros. No entanto, como em Portugal é preciso fazer uma avaliação prévia a todos os medicamentos de uso hospitalar, haverá processos que ainda não estão deferidos. O geneticista Luís Nunes considera que esta é uma das prioridades a trabalhar no âmbito do programa, aprovado em 2008. Actualmente, "temos duas situações distintas. Por um lado, há comissões nacionais compostas por peritos que analisam o tratamento destas doenças caso a caso. Mas, depois, há doentes que vêem o seu processo analisado pela direcção clínica do hospital. O problema é que se o Estado paga ao hospital o medicamento a 100% no primeiro caso, quando é o hospital a tomar a decisão tem de suportar os custos".
Por essa razão, há hospitais que controlam estas despesas "e os doentes queixam- -se". Por isso, "defendo que haja mais comissões de regulação. Primeiro porque o tratamento destas pessoas não deverá passar por questões de dinheiro, depois porque as comissões são compostas por peritos muito experientes".
Já existem pelo menos duas comissões, uma relativa à hormona do crescimento e a Comissão Coordenadora do Tratamento das Doenças Lisossomais de Sobrecarga. Ana Fortuna, médica da comissão, diz que em 2007 "já tinham sido registados 133 doentes, que custam em média 1,74 milhões de euros por ano" em tratamentos.
Paula Brito Costa, presidente da Federação das Doenças Raras de Portugal, tem conhecimento de vários casos em que o doente não teve um acesso facilitado à medicação. "Já nos chegaram uns seis a oito casos de doentes, geralmente de hospitais mais pequenos, porque têm mais dificuldade em suportar estas despesas. Aconteceu isso com dois casos de porfíria - doença que afecta o sistema neurológico e gastrintestinal - em que dois doentes foram encaminhados "para hospitais de outras regiões de saúde e que depois foram recusados por não serem da área de influência", conta. Outras vezes, "os hospitais dizem que não têm o medicamento. Não têm, mas têm de o comprar. O que mais me preocupa nem são estes casos, que se resolvem. São os de doentes que não sabem que têm medicamentos órfãos para se tratar".
Por essa razão, há hospitais que controlam estas despesas "e os doentes queixam- -se". Por isso, "defendo que haja mais comissões de regulação. Primeiro porque o tratamento destas pessoas não deverá passar por questões de dinheiro, depois porque as comissões são compostas por peritos muito experientes".
Já existem pelo menos duas comissões, uma relativa à hormona do crescimento e a Comissão Coordenadora do Tratamento das Doenças Lisossomais de Sobrecarga. Ana Fortuna, médica da comissão, diz que em 2007 "já tinham sido registados 133 doentes, que custam em média 1,74 milhões de euros por ano" em tratamentos.
Paula Brito Costa, presidente da Federação das Doenças Raras de Portugal, tem conhecimento de vários casos em que o doente não teve um acesso facilitado à medicação. "Já nos chegaram uns seis a oito casos de doentes, geralmente de hospitais mais pequenos, porque têm mais dificuldade em suportar estas despesas. Aconteceu isso com dois casos de porfíria - doença que afecta o sistema neurológico e gastrintestinal - em que dois doentes foram encaminhados "para hospitais de outras regiões de saúde e que depois foram recusados por não serem da área de influência", conta. Outras vezes, "os hospitais dizem que não têm o medicamento. Não têm, mas têm de o comprar. O que mais me preocupa nem são estes casos, que se resolvem. São os de doentes que não sabem que têm medicamentos órfãos para se tratar".
Diana Mendes
Diário de Notícias de hoje 22 de Dezembro de 2009
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