People who are different change the world

28/02/2020

Dia das Doenças Raras - 11 anos de mãe Pku - (Alguma) A tranquilidade

O meu filho fez 11 anos em Dezembro passado, e eu sinto hoje uma certa tranquilidade relativamente às questões da doença. Não quero dizer que tenha evoluido alguma coisa de muito significativo na restrição, na verdade, não evoluiu quase nada! Mas ao fim de uma década de convivio intimo com a fenilcetonúria, já sabemos perfeitamente como lidar com ela. Ser PKU, já não assusta, é quase moderno ter uma alimentação vegetariana, nesta sociedade obesa e doente de abusos de proteína animal. Algumas dificuldades persistem, como a alimentação no refeitório da escola, mas agora a opção é dele, não quer a sopa e a salada da escola, para não falar da fruta que deve pertencer ao grupo da fruta feia, ah pois é. A lancheira é obrigatória para a escola, mas já não o é para algumas refeições fora de casa em pequenos paraísos, onde ninguém estranha que haja quem se delicie com saladas variadas e sopas com um complemento trazido de casa. A questão das refeições em familia, também já não dói, porque temos sempre pontes deliciosas no dominio dos acompanhamentos, e nós todos temos imenso a beneficiar das opções vegetarianas e das descobertas apuradas que este filho pku nos obrigou a fazer. Outro capitulo conquistado é o das viagens, mesmo de mochila às costas já conseguimos gerir passeios fora com algum planeamento minimo, e aqui os alojamentos locais e a oferta variada de hosteis com cozinhas partilhadas fazem milagres por nós. Aprendi ao longo dos anos que há questões inultrapassáveis, que mais vale aceitá-las e seguir de cara alegre, porque a vida é tão variada que se a festa se fizer para além da mesa, todos ganhamos outras perspectivas. Acredito que há um longo caminho a percorrer nos tratamentos das doenças metabólicas, mas que nós vivemos um tempo feliz em que temos acompanhamento de primeiro mundo, boas opções de aminoácidos e uma comunidade viva sempre à procura da diversidade e beleza de uma cozinha dificil, mas desafiante e com excelentes resultados. O Kuvan revelou-se decepcionante, apenas abrange uma quantidade minima, residual, de doentes que conseguem beneficiar deste tratamento, mas outros até talvez mais interessantes, estão na calha, as terapias de substituição enzimática prometem novos mundos, mas nós sabemos esperar. Lisboa é um lugar privilegiado em que a multiculturalidade é a melhor porta para a integração. E a comunicação via redes sociais, nas suas mais variadas formas une pais , familias, mães de primeira viagem, pequenos grupos, abre portas, janelas, consola e partilha as dificuldades. O futuro próximo não me angustia relativamente à doença, acredito estar a ajudar a desenvolver nele uma boa resistência moral, recursos que a seu tempo darão os melhores frutos. Não me impediu a realização profissional, apesar de ter feito uma pausa prologada na minha actividade, só me acrescenta este meu menino pku. Só me abriu portas, quando eu no inicio, achava que havia lados da minha vida dos quais teria que desistir, só me fez ir mais além, um desafio permanente é como o vejo. Com uma maturidade surpreendente, às vezes parece que é ele que me conduz pela mão em vez de ser eu a orientá-lo. Neste fim de mês de fevereiro, especialmente dedicado às Doenças Raras, é esta a mensagem de alegria que quero partilhar convosco, aprender com estes nossos filhos pkus metabólicos. Não há impossiveis, há passos dados em conjunto, aprendizagens partilhadas, a vida a oferecer-nos estas maravilhas que são Eles, os nossos filhos.
Bem Hajam

06/02/2020

Como fazer uma alheira hipoproteica caseira


Pensar na alimentação do Vasco fez-me reflectir muito e descobrir um mundo novo, porque tive de pensar nela de raiz.
Há dez anos não havia quase nada que pudesse servir de base à confecção de receitas para ele, saborosas entenda-se, e isso para mim era essencial: a alimentação é a terapia do Vasco e ninguém faz uma dieta se não gostar daquilo que come.
É certo que o gosto educa-se, mas eu também não queria que o meu filho fizesse uma alimentação monótona, muito diferente daquilo que era a nossa alimentação familiar e distante da tradição gastronómica portuguesa.
É que para mim alimentação também significa cultura, sentimento de pertença a um país, a uma família e afecto.
E a cozinha é o "campo" onde eu sei que tenho armas para lutar e onde posso controlar um pouco aquilo que não posso vencer.

Tudo o que disse fundamenta em larga medida as receitas que vou divulgando.
Pertenço a alguns grupos virtuais de culinária hipoproteica e vegan. Num desses grupos deparei-me com uma ideia fantástica de um vegano de trás-os-montes (só podia...) para confecionar uma alheira caseira,  totalmente vegan, usando folha de arroz. Pensei logo, ora aqui está uma ideia luminosa para o que pretendo. No fundo pesquisei a técnica, facílima, e tratei de pensar no recheio que devia ser o mais hipoproteico possível, porque uma alheira acompanha-se é com batata frita e teria de haver espaço "proteico" para isso.

E assim nasceu esta receita, que o Vasco gosta muito e nós família também. Aliás, eu faço para ele e para mim igual porque, em termos de alheiras vegetarianas que já provei, esta é a melhor.
E aqui está a receita:
Ingredientes para uma alheira:
50g de beringela triturada na picadora
20g de cenoura ralada
1 cebola pequenina picada
1 fatia de pão hipoproteico, de véspera, triturado
1 colher de café de colorau
1 punhado de azeitonas picadas grosseiramente
1 dente de alho picado
1 colher de sopa de farinha hipoproteica
água qb
sal, pimenta e azeite a gosto
1 folha de papel de arroz
Refogue a beringela com a cebola, a cenoura e o alho num fio de azeite até dourar.
Junte as azeitonas picadas, o pão, a farinha e os temperos. Mexa por uns instantes e vá juntando colheres de sopa de água uma a uma até ficar com a consistência de "migas" (ver fotos). Retire do lume e deixe arrefecer.
 
Humedeça a folha de papel de arroz e coloque em cima de uma tábua ou prato. Coloque o preparado moldado. Corte os excessos da folha de arroz deixando cerca de 5cm à volta do preparado. Enrole cuidadosamente e ate as pontas com fio de culinária tendo cuidado para não romper.
 
Grelhe numa frigideira com um fio de azeite.
Acompanhe com batata frita.

Bom apetite e viva a culinária portuguesa e hipoproteica!

Paula Viegas

03/02/2020

Mudança de fórmula (MSUD)

 Kit de experiência MSUD Express 15 fornecido pela nutricionista.

Bom dia, hoje vim relatar-vos qual é a minha relação com a fórmula metabólica e como correu a experiência com a fórmula MSUD Express 15 da Vitaflo.
Para quem é novo aqui, eu sou a Catarina e tenho 25 anos, sou portadora de leucinose neonatal a forma mais grave da patologia.